segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O abismo ou buraco que cavei


Certa vez, num povoado muito pacato, entra em uma quitanda(ainda se chama assim, o que hoje ainda  se chama de mercearia), um cidadão, também com aparência de pacato. Calça arregaçada, uma das pernas, amarrada à altura da cintura com  fibra de sapucaia, para não cair, de US-TOP, sim, isso mesmo, calça de US-TOP, a segunda etiqueta do JEANS, aqui no Brasil. Ele entrou, pós num cantinho do estabelecimento, o saco que trazia nos ombros, se dirigiu para o balcão, pediu um quarteirão de PITIÚ, pagou, colocou a mão num dos bolsos da calça, tirou um pedaço de rolo de fumo, pediu uma faca, cortou bem fininho o fumo, já ia enrolar num papel, quando alguém bateu em seu ombro esquerdo: Pedim... a voz meio calma e num tom que parecia de medo, era de alguém conhecido daquele homem de calça arregaçada, que chegara de algum lugar, provavelmente de caminhos ruins, e com lamas, pelo o estado de sua aparência. "Abri um buraco ou um abismo que separou nós dois, e num sei se tu vai intender, quero te pedir disculpa por meus erro...quero ser pelo menos teu amigo, porque acho que pra ser irmão é mais difícil". Aquele discurso parecia que duraria, mas aquele homem, Pedim, pelo menos foi assim que o outro o chamou, o abraçou  o, e quase chorando, disse: tu num tem que me pedir nada de disculpa nenhuma, tu é meu irmão...só é nós dois, por isso esquece, o que tu não me pagou deixa pra lá. Não tem buraco e nem abismo não.

A conversa daqueles dois, parecia que se tratava de uma dívida, no entanto eram irmãos. Pareciam dois caipiras, a maneira de falar, de vestir, de se comportar...pelo menos em alguns pontos. O arrependimento de um, pelo o que acreditou como erro, que até chamava de buraco ou abismo. Do outro lado, o perdão,  e o tratamento de irmãos. Hoje, lembrando-me do episódio, associo-o, com a parábola do Filho prodigo. Resolvi transformar em texto, porque, entre os sábios, ricos, não sei se seria daquela maneira. E hoje, depois de muito tempo, mais ou menos 35 anos, e agora, dedicado aos textos, procuro transformar qualquer coisa em algo melhor. Ou pelo menos, algo para ser lido.
Deus parece habitar o coração dos simples! Dos desprovidos de algemas...talvez.

Escrito por Jeremias - Fotógrafo e blogueiro

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