quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Julgamento de um Padre

Numa manhã de Domingo, durante uma reunião com os Seminaristas, em torno de mais ou menos vinte, o  Reitor de um Seminário Maior resolve fazer um comunicado:  anuncia que deixará o Ministério, ou a batina, como se costuma falar. Vai casar-se.

A apresentação foi mais ou menos assim: Bom dia, caros seminaristas. Tenho um comunicado a fazer aos senhores. Estou deixando o Ministério de Padre, para casar. Não sei como os senhores receberão esta notícia, mas, é minha obrigação comunicar-lhes.

Mal fez a pausa da  notícia, e um Seminarista levanta o dedo, sugerindo a palavra:  O senhor, durante o tempo que aqui esteve, como Reitor, nos  pregou o celibato, a castidade,  persistência, dentre outras coisas. O que o senhor espera nos deixar com esta notícia? Sem muito argumento, ou não querendo se dá o trabalho de responder, disse: meus filhos, estou comunicando a vocês, não estou pedindo permissão.

Padre Francisco, um italiano, de mais ou menos 55 anos de idade, de fato deixou o ministério. Eu era um dos Seminaristas presente, a pergunta não foi minha, mas hoje, a exato 32 anos daquela reunião, recordo e entendo que eu teria uma ou mais perguntas a fazer ao Reitor,  até aquele momento, do Seminário Santo Antônio. Como por exemplo: Quando o senhor se tornou padre, foi para si próprio, ou para uma comunidade? É mais fácil criar álibis, para explicar um erro do que se esforçar para não cometê-lo. Sabemos disso, no entanto, o senhor que deixa claro que não tem satisfação a dar, nem mesmo aos que dedicaram tempo e esforço para ouvi-lo nas aulas. Que estória, digamos, de superação espera que seja contada ao seu respeito, quando por algum motivo  alguém lembrar do senhor?

Convivemos, todos os dias com inúmeros erros, nossos e dos outros; mas isso não nos dá o direito de induzir  os outros a concordarem com os nossos, e muito menos com argumentos como: "só Deus pode me julgar",  porque, as leis existentes entre os homens, são baseadas nos mandamentos do próprio Deus. Daquelas, que no Monte Sinai, entregou a Moisés, em talhas de pedras,

Quando cometemos um erro, não é só para nós que o fazemos. Somos espelhos, e não importa qual a imagem que refletimos. O certo é que refletimos, por isso as leis existem. Não queiramos nos esquivar da obrigação, quando se fizer necessário, de explicar, sobretudo a quem nos fez, ou nos projetou, ou mesmo divulgou nossa imagem. E assim, quando tropeçamos, caímos nos terrenos dos outros, razão pela qual, o erro, até dos Padres, é da conta de todo mundo. 


2 comentários:

  1. Irmão Jeremias.
    Obrigado por compartilhar suas experiências.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quem me dera contribuir, à altura da minha responsabilidade. No entanto, sem querer justificar qualquer coisa, escrevo, de vez em quando, algo que me surge, como recado. Muito obrigado por ler alguns desses textos,irmão Marcos e Irmã Kátia

      Excluir