segunda-feira, 9 de junho de 2014

Quem foi Coxinho


Antes de iniciar o texto, deixo claro de que, não é propaganda sobre o Folclore do Bumba-Boi no Maranhão. Digo isso porque, fazer média com o nome de quem fez história, pode ser bom para "parecer bem na foto", No entanto, não concordo com o fato de deixar alguém abandonado, sobretudo, quando se trata de alguém, que viveu, certamente sua vocação, de cantar, em prol do crescimento do folclore, como no caso de Coxinho, e depois de sua morte, tirar proveito de seu nome, tentando passar para o mundo, o reconhecimento...que não se sabe, se existiu de verdade.

Na realidade, para mim, não é "Coxinho". Prefiro chamar, como o chamava: seu(sr.) Bartolomeu. Bartolomeu dos Santos, Amo, ou Cantador... do Boi de Pindaré, como o conheci.

No Mês de Agosto de 1978 cheguei em São Luís-MA, com a idade de 15 anos incompleto. Cheguei às 4:00hs da manhã. Dormi até às 6:00 e quando Patrício, secretário de Padre João, foi me apresentar ao pessoal da oficina, ao chegar ao primeiro funcionário, que estava atrás de um banco de carpintaria, me perguntou: "Tu conheces as toadas do Boi de Pindaré"? antes de eu responder, ele completou: é este aqui quem canta. O nome dele é Bartolomeu.

Senhores(a), durante mais ou menos três anos, convivemos no mesmo ambiente de trabalho, na mesma oficina do CEPROMAR(Centro Educacional e Promocional do Maranhão). Uma Entidade que funcionava, na época, na Igreja de Fátima, no Bairro de Fátima, e que hoje, funciona no Parque Pindorama, e com o mesmo Diretor: Padre João de Fátima.

Retomando à história de Bartolomeu, de vez em quando, alguns estrangeiros(franceses), chegavam por lá, e Padre João contava a história de Bartolomeu. Então o estrangeiro levava uma fita K-7, para que fossem gravadas as toadas, e pagavam alguma coisa a ele.

Bartolomeu, gravou, mais ou menos no ano de 1972 um disco compacto, com as toadas do Boi de Pindaré, o Boi de João Câncio. A gravadora responsável, pela gravação, jamais deu alguma coisa, em forma de pagamento, a ele. Ninguém intercedeu por ele, para que seu pagamento fosse feito. Ao contrário, quando deixou o serviço de Padre João, desesperado, pelo abandono da esposa, de acordo com o que ouvi, sobre, e pela pobreza extrema, acompanhada de mágoa, por saber do do esforço que fez, para contribuir com a Cultura de seu estado, e mesmo assim, precisar mendigar o pão, Bartolomeu recorreu à Rua Grande, para pedir esmolas.

Fiquei sabendo, recentemente, por uma matéria muito rica em detalhes, postada na Internet, que o Governador Cafeteira, na época, concedeu a Bartolomeu uma pensão vitalícia de cinco salários, mas que chegou a perder para a ex. esposa, que nos momentos mais críticos sua vida, o abandonou.

A última vez que conversei com Bartolomeu, foi exatamente em 1987, quando comprei dele, todos as ferramentas de carpintaria, que ainda lhe restava. Mais ou menos por volta das 13:00h, quando cheguei, em sua casa, na conhecida Rua 10 do Bairro de Fátima.

Da sua morte, fiquei sabendo depois, que ocorreu em 03 de Abril, de 1991. 

Filho da Baixada, de Lapela, município de Vitória do Mearim, viveu para o folclore do nosso estado, apesar de ter trabalhado com outras coisas, dentre as quais, como ajudante em embarcações.

O que acabo de escrever, senhores(a), não é a história de Bartolomeu, e de sua trajetória. Não é algo que venha abranger sua biografia, ou ainda, uma narração com a riqueza de detalhes, que seu nome merece. O que acabo de escrever, é um lembrete, do pouco que o conheci, porque assim me permite, a amizade que tivemos. 

Um comentário:

  1. Coxinho Nasceu em lapela. Sua primeira música de boiada ele fez em lapela a onde era município de vitória do Mearim, hoje município de Conceição do lago açú.

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