segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Força mesmo, quem tem é o povo



Durante um processo eleitoral, percebe-se o esforço dos candidatos, no sentido de convencer o eleitor, a votar favorável  neles. Não se entra numa disputa para ser derrotado. Aceita-se, o resultado, porque não tem outro jeito.

Depois de tudo, digo da eleição, a gente faz um discurso de agradecimento. Claro, que, dizer: senhores(a), muito obrigado, por que hoje sei que tenho mais amigos do que antes da Eleição. Tenho agora 700 amigos a mais, porque recebi 700 votos...seria melhor que seja assim.

Disfarçar o desapontamento, agradecendo o insuficiente(para  a vitória)que recebeu, é uma forma humilde de reconhecimento. Mas, ser consciente de que recebeu mais do que mereceu, é no mínimo um ato vergonhoso, porque você entende que procurou colher onde não plantou. E se colheu, é porque alguém generoso o deixou que fizesse. 

Numa campanha política, pedir um voto, significa para o candidato, pedir para alguém assinar um cheque em branco. Ou, se preferir, é pedir riqueza. Veja bem, não é pedir uma esmola...é pedir poder, para em breve, usar do mesmo, para escravizar o eleitor.  

Às vezes, senhores(a), fico muito triste...indignado mesmo, quando vejo alguém tão sadio, aparentemente, se oferecendo como escravo, sobretudo, a alguém, que está numa posição de destaque colocado pela força do povo, que, muitas das vezes, inconscientemente proporcionou isso.

Sou do povo. Digo, da parte menos favorecida. E sei que não tenho feito nada, até agora, para ajudar a minha classe, a sair da culpa pelo desmando do governo que tem minha cara. Se você quer saber, me envergonho, porque, durante minha adolescência, eu era candidato a Padre, de uma Igreja que fez opção preferencial pelos mais pobres. Sim da Igreja Católica, que com minha contribuição ao contrário, deixou de crescer. E eu a critico por isso. Como critico o povo do qual faço parte. Do mesmo povo, que recebeu, de forma, também, contrária minha contribuição.

Hoje somos um povo muito atrasado. Exibimos nossas Comunidades Quilombolas, com suas riquezas culturais, como um troféu, dos nossos antepassados, negros, que vieram forçados de sua terra natal, na Africa, deixando seus ente queridos. Ou dos nossos antepassados europeus, que, cumprindo um capricho dos donos do poder, da época, em seus países, se aventuraram de Oceano a dentro, até chegarem aqui, numa terra de nativos, que assustados, reagiram, muitas das vezes, investindo contra eles, com as armas de caça. Deles, herdamos também, religião, o manejo do comércio, algumas manifestações folclóricas, e outras culturas, assim como as históricas construções arquitetônicas. 

Herdamos também, dos nativos da terra, que também contribuíram, na mistura das raças, a cultura da caça, da pesca e das lendas, que enriquecem nossa história.

Na distribuição das riquezas, somos na maioria das vezes, pacatos, a ponto de deixarmos que os espertos, que aproveitaram melhor as oportunidades, ou que lançaram mão de uma parte maior, indevidamente, tomem conta, e nos "representem", como querem.

O título acima, é proposital. Estamos um dia depois da Eleição, que mesmo num processo democrático falho, elevou uns, e rebaixou outros. E me questiono: Se o poder de um povo, manipulado, usado e ludibriado, faz tanto efeito, imaginemos, o poder de um povo conscientemente organizado, que busque, de forma ordeira, mas sem desanimar, o bem comum, sem que o individualismo impeça o verdadeiro progresso coletivo.



Se o povo se organizar, e não se deixar manipular pelos políticos, sua força será imbatível.









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