domingo, 18 de junho de 2017

Tributo a Bartolomeu dos Santos (Coxinho), Amo do Boi de Pindaré



                                                   
Como uma das pessoas que conheceu Bartolomeu dos Santos, eu me sinto na obrigação de contar alguma coisa sobre ele. E não  porque alguém me contou. Eu convivi perto dele por três anos.

Em junho de 1978, aos 14 anos de idade, cheguei em São Luís para um passeio. Seminarista menor, do Seminário Diocesano Cônego Nestor de Carvalho Cunha, da cidade e Diocese de Brejo dos Anapurus, estava de férias, e o então Padre Xavier Gilles de Maupeou d'Ableiges, hoje bispo emérito, meu Padrinho de Crisma, me levou para conhecer São Luís. Chegamos por volta das 4 da manhã na Igreja de Fátima, onde morava o francês Padre João de Fátima. Às 8hs, depois do café, o secretário do Padre João, Patric Pardini, me levou para conhecer a oficina de uma entidade, que lá funcionava, de nome CEPROMAR-Centro Educacional e Promocional do Maranhão. 

O primeiro setor da oficina  era a carpintaria. E um certo senhor, que estava trabalhando, e depois fiquei sabendo que era o carpinteiro, parou quando Patric chegou para me apresentar. Mas, antes, Patric me perguntou: Tu já ouvistes falar do Boi de Pindaré? Antes que eu respondesse, ele acrescentou: Este aqui, é Bartolomeu dos Santos, o cantador do boi. 

Fiquei em São Luís, nas dependências da Igreja de Fátima, para continuar o Seminário. E fiz parte também da família CEPROMAR. Bartolomeu, que já estava lá há algum tempo, ficou por mais três anos. Assim, durante esse tempo convivi perto dele. E por vários momentos durante o dia, nas horas  dos lanches, por exemplo, era em volta do seu banco de carpintaria que ficávamos, para ouvir sua estórias e piadas.

Bartolomeu trabalhava com o Padre João de Fátima, na Igreja de Fátima, que fica no bairro de Fátima, e morava na rua 10 do mesmo bairro. À noite ensaiava as toadas do boi, com todos os brincantes, na sede que ficava na mesma rua. E por várias vezes, quando chegavam estrangeiros para visitar Padre João, sobretudo franceses, porque Padre João também, que ainda vive, é francês, eu ia com eles aos ensaios, que queriam ver o folclore mais conhecido do Maranhão. E mais tarde, por várias vezes fiz reportagens fotográfica nas apresentações, a pedido do meu professor de fotografia, o francês Rogeer Pardini, pai do secretário Patric Pardini.

No final de 1980, Bartolomeu não pode mais continuar no trabalho. O problema de saúde se agravava à medida que aumentava a idade. Não sei do que exatamente seu Bartolomeu sobrevivia depois que deixou de ser carpinteiro. Fui visitá-lo por várias vezes, numa casa muito humilde, na rua 10 do Bairro de Fátima. E muitas vezes, eu  o encontrei assentado, encima de um papelão, no calçadão da rua grande, pedindo esmolas.

Em relação ao disco que gravou em 1972, o que se sabe, é que nunca recebeu nenhum valor. A gravadora nunca honrou o  pagamento. O que ele ganhou foi a "fama" de cantador do Boi de Pindaré.

Me recordo de pelo menos uma campanha, que foi feita para Bartolomeu, quando ele já não mais trabalhava.  E agora, pesquisando, fiquei sabendo, que Zé Raimundo, que na época trabalhava na Difusora, quando ainda essa era afiliada da Globo, proporcionou pelo menos uma, que aconteceu no Teatro Athur Azevedo, em 1984.

Em 1987 Eu estava abrindo uma oficina de fazer molduras para retratos. Precisava de ferramentas de carpinteiro, visitei seu Bartolomeu e comprei todo o restante de suas ferramentas de carpintaria. 

Quando escrevi acima, tributo a Bartolomeu dos Santos, que é o título deste texto, não o fiz como fazem as instituições, para atender a algum cronograma, ou sugestão de algum empresário, ou político. Fiz porque   fui seu amigo. E não posso dizer que fui amigo dos seus filhos do ultimo casamento, porque  na época, os três eram  muito pequenos. O Zequinha era o maior, que tinha aproximadamente 5 ou 6 anos.

No CEPROMAR não o chamávamos de coxinho. E não me recordo desse apelido. Ele tinha um problema nos pés, um ferimento que se agravava com o passar do tempo, e por isso caminhava caxingndo. Acredito que por isso, recebeu o apelido.

A "fama", se é que pode assim ser chamada, veio depois que morreu. Inclusive com a toada Urrou do Boi, a mais conhecida, que foi oficializada pelo então governador Edson Lobão, através da Lei 5.299 de 12-12 91 de autoria do deputado Coroba, tornando-se Hino Cultural e Folclórico do Maranhão, ficando portanto, a obrigatoriedade de "sua execussão, no início e no término de qualquer evento Cultural e Artístico em qualquer parte do território maranhense".

Uma observação: O nome Boi de Pindaré se refere ao Sotaque de Pindaré, de Matracas e Pandeirões. Não é que seja o Boi da cidade de Pindaré. E atualmente o famoso Boi de Pindaré é comandado por Zequinha, o filho mais velho, de Bartolomeu, ao qual me referi no texto.
















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